CADERNO I
Dramaturgias da Mediação: Processos de Cocriação entre Cena e Público
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O projeto Dramaturgias da Mediação: Processos de Cocriação entre Cena e Público foi concebido e realizado de forma colaborativa pela Associação Cultural Corpo Rastreado, no âmbito do nosso centro de pesquisa Estufa, que se dedica há seis anos ao estudo da produção nas artes cênicas. Trabalho de maior fôlego, composto por entrevistas em profundidade com profissionais das áreas de dança e de teatro iniciadas há três anos, ele esteve, desde o início, acompanhado pela ideia de transformar o seu conteúdo em uma publicação que pudesse ser amplamente distribuída. Esse desejo começa a se realizar com o lançamento deste primeiro caderno, que inaugura a Coleção Corpo Rastreado.
A Corpo Rastreado foi constituída em 2005, na cidade de São Paulo, com a proposta de desenvolver um trabalho de parceria na produção de artistas e grupos das artes cênicas. Nas duas décadas em que atuamos com mais de uma centena de companhias de dança e teatro, consolidou-se em nós a convicção de que a produção, como agente de mediação entre artistas e público, é também um campo de conhecimento fundamental para o desenvolvimento da cena artística.
O desejo de compor um acervo de reflexões sobre a relação da arte com o público parte das necessidades observadas no trabalho cotidiano de nosso coletivo de produtores e outros profissionais envolvidos na produção dos espetáculos. De maneira geral, não encontramos, de parte dos diversos equipamentos culturais, um pensamento claro e estruturado sobre essa relação. É dessas inquietações e carências que nasce o presente estudo.
Decidimos pelas entrevistas como ponto de partida. O objetivo era saber dos artistas e outros profissionais como concebem a relação com o público e como ela se dá na prática; como esse relacionamento é afetado pela comunicação, pelas instituições, pelos mecanismos de financiamento público, pelas determinações dos editais. Ouvimos também as suas observações sobre o comportamento dos diversos públicos, sobre os encaminhamentos adotados e as soluções possíveis ou imaginadas para atrair as pessoas ao teatro.
Ao longo de três anos, entrevistamos, até o momento, 64 profissionais com atuação na cidade de São Paulo. Perguntas semelhantes foram colocadas para todos os entrevistados, com a intenção de facilitar a comparação dos diversos pontos de vista. O recorte geográfico foi determinado por ser esse o mercado prioritário onde a Corpo atua.
A lista de entrevistados incluiu artistas, produtores, assessores de imprensa, gestores de instituições públicas e privadas, críticos, curadores e especialistas em acessibilidade e em mediação. O resultado desse trabalho é um quadro inédito,denso de práticas e reflexões sobre a dura realidade das artes cênicas no maior e mais rico polo cultural do país. As entrevistas foram transcritas sem cortes e os textos submetidos ao mínimo necessário de intervenções. A este primeiro caderno da coleção, com nove entrevistas, se seguirão
outros, até que todas as entrevistas sejam publicadas. Em princípio, imaginamos cerca de oito cadernos, lançados a cada dois ou três meses.
Na escolha das entrevistas incluídas em cada caderno, procuramos combinar perfis profissionais variados para também oferecer várias perspectivas das questões abordadas. Alguns dos profissionais ouvidos não ocupam mais os cargos que tinham quando foram entrevistados, mas essa circunstância não retira o valor desses depoimentos, baseados sempre em experiências relevantes. Em todo caso, convém observar as datas das entrevistas para compreender o contexto em que ocorreram. Embora o público seja o objeto das entrevistas, as suas opiniões não estão presentes na coleção porque isso exigiria outro tipo de sondagem, além de recursos para desenvolver pesquisas mais abrangentes de comportamento e consumo cultural.
É preciso tempo para decantar todo o conteúdo recolhido. Uma vez lançados os cadernos, serão organizadas caravanas de divulgação para levar essa discussão às escolas de formação técnica, às universidades, aos festivais e às instituições interessadas. O objetivo é compartilhar amplamente o material, para que ele fomente o debate e também para que se torne fonte de pesquisa e de novos estudos. As referências a pessoas, grupos, espetáculos e acontecimentos, sempre que possível, estão acompanhadas de notas, para facilitar a leitura e também para reavivar a memória sobre a história das artes cênicas.
A Corpo Rastreado agradece a todos os entrevistados que se dispuseram a colaborar com esse projeto. Pensar coletivamente amplia e aprofunda o trabalho que a Corpo acredita ser o papel da produção. É na coletividade de pensamentos e braços que vamos encontrar caminhos para que as artes cênicas tenham um público cada vez maior.