MARIA CININHA

Feitas de papel e cola, e desenhadas com tesoura, as Marias são personagens não no sentido literal, pois não vamos reconhecê-las nas ruas ou em nossas vidas. Elas são uma espécie de consciência, são maneiras de falar sobre o mundo e com o mundo! O mundo das Marias é um lugar do pode sempre, onde é possível encontrar novos horizontes, é um apelo ao resgate do olhar da infância, da alegria, que nos faz lembrar que podemos não levar a vida tão a sério.

As Marias são divertidas, irreverentes, coloridas e poéticas. São um convite para o outro estado de realidade, onde se pode transitar pela fronteira, do real e do imaginário. Provocam sorrisos, curiosidade, acendem a fantasia, que muitas vezes fica perdida na paisagem cotidiana real. São figuras femininas lúdicas que detêm uma enorme capacidade reavivar a fantasia, de criar experiências sensíveis, formais, afetivas e intelectuais que alimentam o imaginário. Assim desta maneira, podem habitar o cotidiano, discutir o meio ambiente e os direitos humanos, passear pela literatura e pelo do mundo das artes e poesia.

A técnica é a colagem. Linguagem herdada da vanguarda da arte moderna, dos trabalhos de Braque e Picasso, que trouxeram a inovação da colagem para tela introduzindo letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. 

Dizer que todos nós temos a criança que fomos um dia em nosso interior pode parecer banal e lugar-comum. Entretanto, não podemos negar que muitas vezes nos socorremos de nossas experiências infantis e o quanto elas são fundamentais e inspiradoras para a nossa vida cotidiana e adulta. 

As Marias transitam exatamente neste mundo: onde o tempo e o espaço são inexistentes e os significados diversos.  MC