A proposta do FCD – Festival Contemporâneo de Dança de São Paulo é promover uma programação diversificada de trabalhos com linguagens próprias e singulares em dança contemporânea, reunindo artistas que questionam formas de representação e propõem outras percepções e maneiras de olhar o mundo. O FCD é um espaço de aproximação, uma forma de compartilhar possibilidades, exercitar o diálogo e estimular o espectador nas suas capacidades críticas e criativas.


Criado em 2008, quando foi contemplado com o Prêmio APCA de Formação, Difusão e Produção em Dança, o FCD vem se transformando e evoluindo, assumindo como uma de suas principais vocações o papel de formador de público para dança contemporânea e fomentador da produção de trabalhos de jovens artistas e criadores.


Além das apresentações de trabalhos nacionais e internacionais, o FCD realiza uma rede de ações de formação, como oficinas direcionadas a estudantes e professores de dança ministradas pelos artistas que participam da programação; encontros abertos em que os artistas apresentam ao público sua trajetória, processo criativo e modos de produção em dança em seus países ou estados; palestras, como as realizadas pelo filósofo Luiz Fuganti, Corpo Sem Órgãos (2011), pelo projeto 7x7 coordenado pela coreógrafa paulista Sheila Ribeiro, de formação crítica em dança (de 2009 à 2013), pelo projeto Teorema de Novos Criadores dirigido pela crítica e coordenadora do programa de pós graduação em dança da UFBA Fabiana Dultra Brito (2008 a 2010); e, a partir de 2016, a produção da VI edição da Mostra Plataforma Exercícios Compartilhados reunindo 20 jovens artistas que partilham com o público seus processos criativos, como resultado de uma residência de longa duração coordenada pela coreógrafa Adriana Grechi e a participação de diversos provocadores convidados, entre eles o coreógrafo piauiense Marcelo Evelin, a dramaturga paulista Rosa Hercoles, e o dramaturgo holandês Robert Stejin.


Desde sua primeira edição o FCD já apresentou diversos artistas como a húngara Eszter Salamon, o alemão Thomas Lehmen, a cabo-verdiana, residente em Portugal, Marlene Monteiro, o coreógrafo francês Christian Rizzo, diretor do Centro Coreográfico de Montpellier, a dupla portuguesa Sofia Dias e Víctor Roriz, a coreógrafa marroquina Bouchra Ouizguen e seu grupo formado por “aitas” (bailarinas de clubes noturnos do Marrocos), as performers espanholas Sònia Gómez, Cuqui Gerez e Cristina Blanco, a artista uruguaia Tamara Cubas, o coreógrafo argentino Luis Garay, o coreógrafo mineiro Wagner Schwartz residente em São Paulo e Paris (contemplado com o APCA após a apresentação de Piranha na programação do FCD 2012), além de jovens artistas brasileiros que residem e circulam seus trabalhos em diversos circuitos da Europa, como Fernando Belfiore e Luciana Chieregati, que apresentaram seus trabalhos no Brasil pela primeira vez no FCD.


Dentre os artistas residentes no Brasil já participaram do FCD Alejandro Ahmed e o grupo CENA 11 de Florianópolis, o coreógrafo carioca Gustavo Ciríaco apresentando trabalhos reconhecidos internacionalmente e inéditos em São Paulo, a coreógrafa carioca Marcela Levi, a coreógrafa fortalezense Clarice Lima, as curitibanas Michelle Moura e Elisabete Finger, e os paulistas Marta Soares, Ricardo Iazzeta e Eduardo Fukushima.


Na contramão da habitual curadoria, ao invés de programar apenas os artistas reconhecidos no momento, o FCD repete seus convidados e assim permite acompanhar a produção destes artistas como o búlgaro Ivo Dimchev, um dos artistas mais representativos na Europa, apresentou com exclusividade no FCD em 2013/14/15 seis diferentes trabalhos produzidos pelo teatro Frascati de Amsteram; o marroquino Taoufiq Izeddiou apresentou em 2008 o work in progress Yes we can?. Em 2011, ele voltou com seu grupo, a Cia Anania, para apresentar dois trabalhos Aleef e Aataba; o sueco Jefta van Dinther apresentou em 2011 Kneeding, trabalho criado em parceria com Thiago Granato e, em 2012, ele retorna ao FCD para a estreia mundial de This is Concret (o trabalho foi selecionado pelo Centre Georges Pompidou, em 2014, como melhor trabalho em dança do ano) também com Thiago Granato; em 2010, Cristian Duarte, de São Paulo, e Paz Rojo, de Madri, apresentam We Think We Like That, a primeira coprodução internacional do FCD, voltando, em 2011, com os trabalhos solo: Hot One Hundred Choreographers e Lo Que Sea Moviéndose Así.


Além de permitir ao público acompanhar a trajetória dos artistas convidados, reunir coreógrafos reconhecidos ao lado de novos criadores, O FCD se interessa em reprogramar espetáculos já apresentados em edições anteriores, como também, programar trabalhos antigos dos criadores convidados, e ainda, programar trabalhos de importância e poucas vezes apresentados na cidade, como por exemplo Cornélia Boom de Cristian Duarte, com performance de Sheila Arêas, e Noiva Despedaçada de Ricardo Iazzetta, ambos apresentados apenas duas vezes em São Paulo em 2006 e 2008, respectivamente, e reapresentados na edição de 2011, do FCD.


A programação do Festival Contemporâneo de Dança é o resultado de uma curadoria independente e colaborativa. Com direção artística da coreógrafa Adriana Grechi, direção geral do gestor de projetos culturais Amaury Cacciacarro Filho e direção de produção de Gabi Gonçalves, o FCD caminha para a sua 10ª edição anual, conectado aos princípios que o norteia desde sua primeira edição.

 

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