SUMO - Júlia Rocha (SP)

 

“Quando a gente olha, o que a gente vê?”, questiona Júlia Rocha, criadora da performance Sumo, que experimenta as relações entre imagem, palavra e movimento. O trabalho acontece numa sala onde o público pode circular livremente. Nela, corpos estão cobertos. Suavemente, a cada movimentação que ocorre por baixo do tecido, ao seu redor ou pela transformação da luz, novas formas e sentidos emergem. Aos poucos se revelam as figuras. É uma paisagem, são bichos, algum pedaço de estrela. Não há como saber. A alternância entre o que está coberto e o que é revelado cria curvas na percepção do espaço e do tempo.

“Quando um corpo morre, o primeiro gesto que fazemos é cobri-lo. Quando uma casa fica vazia, cobrimos seus móveis. Cobrir é um ato com o qual nos relacionamos todo tempo. Como é cobrir a dança?”, diz a diretora, que desenvolveu a primeira versão da obra em 2014.

Simultaneamente ao desenrolar da dança, um texto é falado. Criado por Rocha a partir de uma colagem de escritos de artistas que têm alguma relação com o zen, como John Cage (1912-1992), Laurie Anderson (1947), Leonard Cohen (1934-2016) e Yoko Ono (1933), ela também propõe um passeio por diversas imagens. A ideia é evidenciar a singularidade da imaginação das pessoas e permitir que elas experimentem se perder sem sair do lugar.


Concepção e voz: Júlia Rocha
Colaboração e dança: Isabel Ramos Monteiro, Joana Ferraz e Teresa Moura Neves
Música: Gustavo Galo
Luz: Laura Salerno
 

Trabalho realizado na Bienal de Dança do Sesc 2019